sexta-feira, 25 de abril de 2008

ABRIL!

Por Madalena S.



Para o Miguel, o meu jovem amigo que há 13 anos nasceu à sombra dos cravos de Abril,

livre para pensar, livre para falar, livre para escolher!

Que as suas escolhas prestem homenagem à memória dos que lutaram para ele poder escolher.




Hoje é 25 de Abril!

Em 1974, eu tinha 18 anos, sonhos, esperanças, vontades, desafios a vencer e o fogo da juventude a brilhar nos olhos.

Trinta e quatro anos depois, olho para trás e muitos dos sonhos, das esperanças, das vontades e dos desafios foram ficando pelo caminho, é certo, mas outros foram brotando, outras formas de luta, de crença.

A certeza que hoje tenho, trinta e quatro anos depois de Abril, é que Abril é hoje e todos os dias, e continuará a ser enquanto nós quisermos, enquanto não desistirmos.

Trinta e quatro anos depois, e apesar dos pesares, ainda tenho o fogo a brilhar, não tanto nos olhos onde a chama da revolução se foi transformando num braseiro morno a apagar-se lentamente, mas sobretudo na alma, onde a revolta - e já não a revolução - se alimenta todos os dias com as injustiças que se escancaram diante do nosso pequeno mundo mais ou menos aconchegado e protegido.

É esse fogo da alma que me alimenta o quotidiano e me faz erguer em cada dia e todos os dias, na esperança de que esse será o dia, aquele que irá marcar a diferença, aquele que esperamos sempre!


O dia que ninguém soube descrever como Sophia:


Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo.



Sophia de Mello Breyner Andresen

Porque Navegar é preciso!

25 DE ABRIL SEMPRE!


Com um abraço forte para todos os amigos com que fui alimentando a minha vida, antes, durante e depois de Abril.

4 comentários:

Ana disse...

É engraçado ver como Abril mexe connosco...! Nestes poucos dias que passam, acontece sempre algo que nos transforma, ligeiramente... E não falo só do tempo, pois não bastará referir que este ano Abril abriu as portas ao calor e ao Verão!! Abril fez algo mais, muito mais, por todos nós, e é bom saber que ainda o faz. Nem que seja apenas pela recordação...
Eu não vivi Abril como vocês, mas espero poder sempre relembrá-lo com o mesmo entusiasmo e força!
Grande Abril!
beijinhos

Fernando disse...

Um grande abraço também para ti e obrigado pelo excelente texto com dedicatória ao Miguel.
Eu ainda não era nascido no 25 de Abril...bem, era nascido, mas não riscava nada...vivia nas berças...
Mas lembro-me bem, tinha 14 anos e estava no 2.º ano do Curso Geral dos Liceus, antigo 4.º ano do Liceu.
Lembro-me bem do dia, apesar da pasmaceira da terra. Tive a felicidade de acompanhar os acontecimentos pelos jornais. De facto, contrariando o ritmo habitual de entrega de jornais, nesse dia, e nos seguintes, sucediam-se as edições de jornais. Era uma sensação de novidade, quando em cada camioneta de carreira vinham mais uns rolos de jornais com novas edições, que desapareciam num ápice. Tirando isso, era através da rádio que ouvíamos as novidades.
Manifestações não houve, pois quando as havia eram (e ainda são) de uma índole completamente diferente...

Henrique disse...

Abril? Para mim? Não sei explicar o que sinto em relação a Abril. É uma data a que não podemos fugir de facto. Desde sempre me lembro de haver 25 de Abril. Desde que ia pela mão ver o fogo de artificio ao Seixal. Ainda hoje tudo faço para levar alguem pela a mão a ver o fogo de artificio ao Seixal pelo 25 de Abril. Isso e todas as histórias que ouvi sobre o "antes". Todas as histórias familiares de lutas e de pequenas "aventuras" contra o regime a que o 25 de Abril trouxe um fim tão desejado. Depois, com o passar do tempo, veio tambem a consciencia dos factos e a constatação histórica. De tudo de bom que trouxe tambem veio muito mau. Se estamos melhor?? Depende de onde se quiser chegar com o melhor. Pelo simples facto de poder escrever estas linhas, ou qualquer outras sobre o que me der na real gana, tenho a certeza que estamos melhor.
Acho que, por muito que se tente hoje em dia minimizar o acontecimento, reduzi-lo a uma data festiva, foi a única vez que os Portugueses disseram "basta" e se pronunciaram a sério em vez de ficarem na pasmaceira do costume à espera de dias melhores. Por isso, e nem que seja só por isso, nunca poderá ser esquecido.
E a ti mãe um grande OBRIGADO por me teres tornado um fiel seguidor de Abril e me teres tão bem transmitido os valores de Abril.

Por isso (nem que seja só por isso)
SEMPRE!!!!
beijinhos.

Madalena S. disse...

Aos meus filhos, muito obrigada pelos vossos comentários, sobretudo porque me deixam tranquila em relação a um aspecto muito importante para mim: a certeza de que vos consegui transmitir os valores humanistas que tanto prezo e defendi a vida inteira. Os valores que recebi dos meus pais e de muitas pessoas extraordinárias com quem, ao longo dos anos, fui convivendo.
É muito boa esta sensação de um dever cumprido, entre outros.
Um grande beijo para vocês.